Perfil – André Luiz Mota Higino

“Aprendi muito trabalhando na Codesal”

Com experiência de 28 anos na área de técnica em edificações, André Higino se formou pela então Escola Técnica Federal da Bahia. “Na verdade, entrei na instituição para fazer o curso de técnico em estradas. Ocorreu que extinguiram o curso e eu finalizei os estudos no curso de técnica em edificações”, conta.

Ao longo de sua trajetória profissional atuou em várias organizações como a Petrobras, na unidade de São Sebastião do Passé, a Secretaria da Terra da Prefeitura Municipal de Salvador, em ambos como técnico em edificações, a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), onde fazia a manutenção das linhas de trens, e como topógrafo na SCC.

Na Prefeitura, André integrou a equipe que trabalhou no projeto do Metro de Salvador, quando Fernando José era prefeito. “Fiz a locação de faixa de domínio por onde passariam as vias para identificar possíveis áreas de desapropriação”.

Na Embasa, onde trabalhou por oito anos como terceirizado, participou do projeto Bahia Azul que implantou nova rede de esgotamento sanitário em Salvador. A trajetória na FCA, hoje Vale do Rio Doce, possibilitou a André realizar a manutenção de ferrovias em Simões Filho, Candeias, Alagoinhas, por onde passam comboios de trens de carga.

Quando chegou à Codesal, em 2016, após ter sido aprovado no concurso Reda, foi encaminhado inicialmente para a Subcoordenadora de Áreas de Risco. “Aprendi muito neste setor, acompanhado os engenheiros nas vistorias em campo”.

Em seguida, é transferido para o setor de Acompanhamento de Ações de Redução de Risco, onde passou a fazer a inspeção do trabalho de relonamento nas comunidades localizadas em áreas de encostas de Salvador. “Estas inspeções são colocadas em relatório que encaminho à diretoria”, diz, acrescentando que evita guardar trabalho para o dia seguinte.

“Aprendi muito com as pessoas que já trabalhavam aqui na Codesal, mas também a gente consegue ensinar aos mais novos”, revela André. Ele ressalta, contudo, a necessidade de se ampliar o treinamento dos novatos. “Quando cheguei aqui desconhecia as atividades da Defesa Civil”.

Somos a Codesal: Pedro Oliveira

“Gosto da natureza; de aceitar os
desafios que ela impõe ao homem”

Com longa experiência em sua carreira de Geólogo, formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1996, Pedro Oliveira começou sua vida profissional na Defesa Civil de Salvador pouco depois de sua formatura onde ficou por cerca de um ano. Em seguida atuou, na área de Geologia Ambiental, no Centro de Recursos Ambientais (CRA); na Prefeitura de Lauro de Freitas, no Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) e Derba. Retornou à Codesal por meio do concurso Reda realizado no ano passado. Pedro cursou ainda especialização em Gestão, Perícia e Auditoria Ambiental na Faculdade Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro.

Ao falar sobre sua dedicação à geologia ambiental, ele afirma: “Gosto da natureza; de aceitar os desafios que ela impõe ao homem”.

Entre esses desafios que marcaram sua trajetória profissional, ele lembra dos dias chuvosos de 1996, que resultaram no deslizamento de terra e soterramento e morte de várias pessoas na comunidade de Barro Branco, no Retiro. Ao lado de engenheiros, entre os quais o veterano José Roberto Pacheco Casqueiro, ele atuou no acompanhamento e avaliação dos danos causados pelo acidente geológico.

Pedro se recorda ainda de outras experiências que marcaram sua trajetória, a exemplo da ocorrida na BA – 046 em 2013, próximo ao município de Utinga (Chapada Diamantina) onde houve um acidente geológico no acostamento da rodovia, resultando em uma imensa cratera. O acidente foi provocado pelo desmoronamento do teto de uma caverna de rocha calcária que fica sob aquela estrada.

Acidente similar aconteceu na BA-122 na localidade de Carne Assada, município de Iraquara. Em ambos os casos, procedeu a avaliação e levantamento geofísico daquelas regiões. Ele lembra que o estrago promovido nas rodovias pareciam crateras resultantes da queda de meteoros.

FALHAS GEOLÓGICAS

Cidade acidentada por falhas geológicas, Salvador abriga inúmeras áreas de riscos nas encostas passíveis de acidentes, a exemplo de deslizamentos e alagamentos. Nesta atual fase na Defesa Civil, Pedro integra a equipe de trabalho formada, pelo geólogo Paulo Roberto Correia de Lima, e pelo técnico em edificações, Tiago Matos Brito, na produção de mapas diagnósticos dessas áreas e na indicação de intervenções emergenciais que possam prevenir possíveis ocorrências.

Como parte de suas atividades no Setor de Monitoramento de Riscos em Encostas, ele também elabora relatórios de inspeção com a identificação de pontos críticos nas áreas de riscos geológicos, a exemplo das que oferecem possibilidades a alagamentos, e deslizamentos, deixando imóveis vulneráveis. Com a elaboração do diagnóstico das áreas, é gerado também, os mapas de intervenções emergências e de risco, confeccionado a partir da definição de poligonais, registrando setores de maior vulnerabilidade e suscetibilidade a riscos geológicos. Inclui o levantamento de itens como o número de deslizamentos registrados na área, que auxiliam na elaboração de uma cartografia de intervenções emergências. Atualmente, revela o geólogo, o setor se prepara para monitorar áreas já mapeadas.

“Salvador é uma cidade com relevo proeminente, alto índice pluviométrico e ocupação desordenada. Nosso trabalho, é estudar o que acontece nas áreas críticas, registrar os eventos, para uma representação cartográfica e propor diagnósticos e intervenções emergenciais ao poder público”, resume.

 

Conheça a Codesal: A TI é hoje o coração da empresa

PERFIL – Carleosmar de Jesus

Quando concluía o ensino médio, Carlinhos, como é conhecido na Codesal, onde trabalha desde de julho do ano passado, aproveitou a oportunidade de fazer um curso de suporte em TI oferecido pelo Programa de Aprendizado Jovem (Proaj) da Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), realizado em parceria com o SENAI.

Fez a prova de seleção e foi aprovado. O curso, segundo ele, tinha caráter interdisciplinar e passava por conceitos em Tecnologia da Informação, Fundamentos de Rede de Computadores, Manutenção, entre outras disciplinas.

O curso abriu novas janelas e possibilidades para Carlinhos que, logo após concluí-lo, decidiu se matricular em um novo curso na área voltada às redes de computadores no Senai de Lauro de Freitas. As disciplinas o ajudaram a ampliar seus conhecimentos sobre manutenção e configuração de computadores, roteadores, instalação de servidores, cabeamento estruturado, entre outros.

Dividindo com Lucas o serviço de suporte em TI da Codesal, ele avalia que “o principal responsável pela segurança da rede é o usuário e não o antivírus”.

Quando finalizava o curso no Senai surgiu a oportunidade de atuar no Núcleo de Tecnologia da Informação da Defesa Civil, atividade que tornou a sua primeira experiência de trabalho. A trajetória de quase um ano ele define de forma positiva:

“Aprendi a lidar melhor com as pessoas e também descobri alguns programas e ferramentas. A convivência também é ótima com o pessoal do setor”.

“Nosso núcleo presta assistência a todo o órgão; é como se fosse o coração da empresa”, explica Carlinhos, referindo-se ao fato de que modernamente todo o fluxo de trabalho de um órgão depende dos computadores.

Ele revela que seu projeto a curto prazo é fazer um curso de Tecnologia de Redes “para me aperfeiçoar”. Nascido em Valença, nos instantes que está fora do trabalho não dispensa uma boa partida de futebol ou ir ao teatro ou a igreja.

Somos a Codesal: Marlene Jesus de Lima

“Sempre me deparei com pessoas boas”

No dia 05 de junho de 1978, Marlene ingressava no serviço público municipal onde contabilizaria uma longa folha de serviços de quase quatro décadas. Inicialmente, atuou no setor de cadastros da antiga Secretaria de Administração e Serviço Público (SASP) que funcionava na rua 28 de Setembro, no Centro Histórico de Salvador. “Comecei a trabalhar muito nova, quando tinha 18 anos”, lembra.

Posteriormente a Secretaria de Administração (Sead) ganhou autonomia e se mudou para o Palácio Rio Branco, na rua Chile, para onde foi transferida. Algum tempo depois foi para a Junta Médica da Prefeitura, que funcionava na rua Francisco Ferraro (atrás do Colégio Central), órgão por onde tramitavam as perícias médicas, demandas por pensão, entre outros serviços.

A chegada da primeira filha fez com que Marlene sentisse a necessidade de dedicar maior tempo para cuidar do bebê, razão pela qual solicitou a transferência para a Defesa Civil (Codesal) onde a jornada de trabalho era de apenas um turno. “Dava tempo para que eu me dedicasse mais aos filhos”, justifica.

Na Codesal, onde atua há 22 anos, foi conduzida para o setor de Comunicação e Informação, então chefiado por Maria Emília Freire. Marlene fazia a digitação de dados que ela mesmo coletava, a exemplo do índice pluviométrico apurado junto ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), além de atender às demandas da imprensa, pois o órgão não contava com um jornalista, o que só veio a ocorrer posteriormente com a chegada da jornalista Jaciara Santos. “Mais recentemente
participei dos trabalhos que resultaram na implantação de pluviômetros em Narandiba, Ilha Amarela e Rio Sena”, conta.

Com a reestruturação da Defesa Civil, realizada em 2016, Marlene foi realocada para o setor de Recursos Humanos (RH), cujo chefe ela classifica de “justo”. Aliás, ela não tem do que se queixar no seu trajeto pela Prefeitura: “Sempre me deparei com pessoas boas e corretas”. Cita, como exemplo, o médico Miguel Castro, que chefiava a Junta Médica. “Era uma pessoa maravilhosa, um pai nos momentos de necessidade”.

Marlene descreve orgulhosa a trajetória dos três filhos: “A Lívia é dentista, tem mestrado e trabalha na Sesab, a Manoela faz serviço social e Tiago, era cabo da Força Aérea, mas foi aprovado em concurso para a PM em Fortaleza”. Aficionada do trabalho cotidiano, ele revela que “não me imagino aposentada. Quando estou em casa termino ficando deprimida. Preciso descobrir alguma coisa para fazer”. Um dos sonhos que pretende realizar é fazer uma viagem para Portugal. “Quero conhecer a cidade de Fátima”, conta.

Somos a Codesal / José Carlos Siqueira Filho

Veterano na Defesa Civil

Funcionário veterano da Prefeitura de Salvador, onde atua há 35, dos quais 30 na Codesal, Carlos ingressou no serviço público no antigo DMER, o Departamento de Manutenção e Estradas de Rodagem. Após a extinção do órgão, ele foi transferido para a Defesa Civil, cuja sede ficava na Rua da Independência, transversal da Avenida Joana Angélica, na região central de Salvador. Atuou inicialmente no atendimento do 199, número da Codesal destinado às solicitações do público.

Três anos depois, o órgão foi transferido para a Fonte Nova na antiga sede do Batalhão da Polícia Militar. Passou a atuar no setor de serviços gerais. Uma nova mudança viria ocorrer oito anos depois, quando a Codesal se instalou definitivamente no prédio da Avenida Mario Leal Ferreira, onde se encontra até hoje. Carlos passa a atuar no setor de transportes e, em seguida, retorna para os serviços gerais e depois para o Almoxarifado onde está há cerca de 10 anos.

O setor é um dos mais requisitados. Ali são feitas as solicitações de compra de materiais à Coordenação Administrativa, que autoriza ou não o processo após consulta ao setor financeiro. Cabe a Carlos acompanhar o andamento junto aos órgãos envolvidos e fornecedores. O departamento também responde pelo acompanhamento da licitação para a aquisição do encerado plástico (lona), amplamente usado na proteção de encostas e que são fabricadas nos tamanhos de 4, 6 e 8 metros. “A de menor preço é a que ganha”, ressalta. No âmbito do consumo interno, os itens material de limpeza, papel A4, papel higiênico e tonner são os mais requisitados.

Embora a maior parte de sua atuação na Defesa Civil tenha ocorrido na área administrativa, marcou a lembrança de Carlos o ano de 1995, durante a gestão da então prefeita Lídice da Matta, quando foram registradas intensas chuvas que resultaram em graves deslizamentos de terra e em muitas mortes. “A situação foi tão grave que chagamos a contar com 300 veículos de órgãos como a Coelba e a Brasilgás, cedidos para facilitar o deslocamento de técnicos e engenheiros que vieram dar apoio. A Codesal era então coordenada pelo engenheiro Francisco Costa Júnior, lembra.

“Um de nossas tarefas era comprar refeições e levar para os desabrigados, que estavam em um galpão na Calçada, e também para os funcionários já que ficávamos aqui de plantão permanente”, conta Carlos, lembrando que o período foi um dos mais difíceis na administração da cidade. Ele comemora, contudo, o fato de que hoje a situação ter mudado com “as ações preventivas, a exemplo da proteção das encostas com geomantas”.

Orgulhoso pais de três filhos, Estefane, que em breve se forma em Direito, Carolina Mercedes, estudante de Enfermagem, e José Carlos, concluindo o ensino médio, Carlos é casado com Leonice que mantém uma empresa de prestação de serviços. “Gosto de meu trabalho, pois é o único que de fato dá uma resposta imediata à população mais necessitada”, resume.

Somos a Codesal: Adriana Rocha Queiroz

Formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Gestão de Pessoas, Adriana ingressou na Prefeitura de Salvador em 2010, na Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (DESAL), órgão que tem missão de elaborar estudos e projetos, além de operar equipamentos de engenharia urbana. Devido ao seu bom desempenho, alguns colegas a indicaram como potencial colaboradora da Codesal. A transferência para a Defesa Civil se concretizaria em novembro de 2014, onde passou a atuar no Setor de Planejamento, Estudos e Projetos, então chefiado por Cristiana Marback Rego (Kitty).

Algum tempo depois, foi transformado no Setor de Análise e Planejamento, no qual Adriana continua atuando, agora sob a coordenação da Assessora de Gestão, Denise Fraga. A equipe veio a se fortalecer com a chegada de Alba Mendonça, transferida da Semge.

Exibindo

“Quem trabalha na Defesa Civil tem que gostar de gente”

“Quando cheguei não tinha vivência nas atividades da Defesa Civil. Para mim foi bastante instrutivo começar atuando naquele setor que lida com relatórios, planos de contingência de chuvas e do carnaval, elaboração de decretos para a movimentação de verbas, editais de concurso, a exemplo do último Reda de 2016, e de seleção de estagiários, enfim, tudo relativo ao embasamento legal do órgão”.

Entre as suas tarefas estão ainda a de fazer o quadro resumo da operação chuva, elencando os recursos que cada órgão do sistema pode dispor, a exemplo dar carros pipas, tratores, entre outros. “Gosto do que faço. Trata-se de um setor importante que assessora o órgão para seu bom funcionamento”.

No início do ano, juntamente com a colega Alba, Adriana apresentou o módulo sobre Defesa Civil Institucional na capacitação dos servidores da Codesal, evento que envolveu 11 turmas nos meses de janeiro e fevereiro.

Em sua trajetória na Codesal, colaborou na organização da 2ª Conferência Municipal de Proteção e Defesa Civil, na qual participam vários segmentos da sociedade para a elaboração de políticas públicas relacionadas à proteção e defesa civil, encaminhadas às instâncias da Defesa Civil Nacional, em Brasilia. A conferência foi coroada de êxito, atingindo os objetivos da Etapa Municipal não somente pelos números do evento que reuniu 162 participantes, elegeu 30 delegados e aprovou 45 propostas. Mas também pelo envolvimento e participação das pessoas presentes que durante os dias do evento, discutiram questões afetas ao fortalecimento da Defesa Civil Municipal e a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Como para tantos funcionários da Defesa Civil, as chuvas de abril de 2015, que resultaram em inúmeras vítimas, marcou profundamente o percurso de Adriana no órgão. “Isso aqui ficava lotado. Éramos pobres de recursos e a equipe, pequena. Paralelo a minha função, fazia cadastro social, atendendo a população que buscava ajuda”, lembra Adriana.

Ela revela que este período marcou muito seu olhar sobre a realidade de parte da população de Salvador. “Foi um período que me marcou muito. As pessoas chegavam aqui chorando, sem saber para onde ir ou como conseguir auxílio moradia pois suas casas tinham sido destruídas pelas chuvas. A gente tentava organizar, mas a dor só sabe quem sente”, diz, acrescentando que “quem trabalha na Defesa Civil tem que gostar de gente”.

Ela defende que todos que atuam na Defesa Civil têm de conhecer esta realidade, razão pela qual tem participado de diversos simulados de evacuação realizados pela Codesal em áreas de risco da capital. “Eles são importantes pois aproximam você da realidade daquelas comunidades”.

A partir dessas vivências surgiu o desejo de Adriana fazer um curso de fotografia. “Ao observar as fotos feitas pelos técnicos da Codesal nessas comunidades pude perceber que elas reúnem uma montagem de cores de grande beleza”. Quando não está no trabalho, Adriana não dispensa a convivência com a família e, em especial, com os sobrinhos que ela costuma mimar: “Sou apaixonada por meus sobrinhos”.

Somos a Codesal: Marcelo Oliveira

Ainda na faculdade, onde já tinha trilhado quatro anos e meio do curso de Geografia, Marcelo, que trabalha no Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), descobriu a Geologia como sua verdadeira vocação e decidiu mudar o rumo de sua vida.

“Faltavam seis matérias para concluir quando um professor me alertou para o fato de que eu tinha aptidão para a Geologia. Aí decidi fazer de novo o vestibular. Só contei isso para meu irmão”. Foi este irmão quem também avisou a Marcelo que ele tinha logrado êxito na prova. Matriculou-se então no Instituto de Geologia da Universidade Federal da Bahia de onde saiu formado em 2013. “A geologia cobre um ampla área de conhecimentos que vai do petróleo à mineração”, explica.

“Aqui buscamos ao máximo evitar perder vidas”

Durante o curso, Marcelo teve experiência em estágios na área de geologia ambiental, petróleo, mineração e água subterrâneas. Menos em geotecnia, onde viria justamente a atuar no primeiro emprego em uma empresa de Campinas e, posteriormente, na Codesal.

Mas isso não foi um entrave para Marcelo, que foi bem-sucedido em atividades de avaliação geotécnica para implantação de parques eólico e solar no interior da Bahia e no Piauí. No Pará, ele atuou na barragem de Belo Monte em Altamira e em Alta Flores, no Mato Grosso. Em seguida, retornou para participar da expansão de um parque eólico na Bahia, quando surgiu o concurso Reda para a Codesal no início do ano passado.
A chegada à Defesa Civil de Salvador foi um momento de transformação no olhar de Marcelo em relação à cidade e à profissão: “Nos cursos de Área I não se adquire um olhar social. O trabalho na Defesa Civil me fez mudar o foco. Antes o objetivo era obter resultado econômico. Aqui buscamos ao máximo evitar perder vidas, desenvolvendo estudos geológicos por conta dessa responsabilidade”, afirma.

No Cemadec, ele faz o monitoramento das situações de risco provocadas por alterações climáticas, produzindo o informativo diário, enviado por e-mail, que traz as análises das condições atuais do tempo, do índice pluviométrico, de risco, além da previsão para 72 horas. “Atuo no monitoramento fazendo o trabalho de geologia e de interpretação de dados com base nas características de solo, ocorrências de SGDC, e direcionando estes dados para as unidades de prefeitura-bairro de modo que as ações preventivas sejam fortalecidas”.

Ele avalia que o primeiro ganho nessa trajetória de um ano na Codesal foi reconhecer as peculiaridades da capital baiana. “Mesmo nascido em Salvador não conhecia boa parte da cidade, a exemplo do Subúrbio Ferroviário. Hoje, além de ser um local que vou com frequência, é uma região que desperta o olhar para o risco geológico”.

Ao falar da modernização da Defesa Civil de Salvador, ele considera que foi um grande avanço monitorar e antecipar os eventos climáticos, fazendo a correlação da intensidade das chuvas com o risco geológico, no intuito de evitar ou minorar a perda de vidas. “Estamos preparados para dar respostas quando necessário”.

Perfil: Cristiana Marback Rego – Kitty

Formada em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia em 1984, Cristiana Marback Rego, mais conhecida por Kitty entre seus colegas na Defesa Civil, completou uma década de atuação no órgão ano passado. Inicialmente, não chegou a exercer a profissão, pois foi morar em Belém do Pará logo após casar-se: “lá trabalhei por um ano e oito meses no Banco do Estado do Pará no setor de engenharia”, lembra.

Após a temporada paraense, ela retorna à Salvador onde passa a atuar como autônoma em decoração de interiores, uma das paixões de Kitty, além da família. A experiência de alguns anos no setor, contudo, seria interrompida em 2006, quando foi chamada em concurso promovido pela Prefeitura de Salvador em 2002. “Fiquei surpresa, pois não esperava mais ser chamada”, revela Kitty. Quando ingressou na Codesal, o órgão era ligado à Secretaria de Habitação (SEHAB).


“Tentamos fazer o que está ao nosso alcance”

Inicialmente atuou na Subcoordenadoria de Planejamento, no Setor de Estudos e Projetos, do qual assumiu a chefia em 2008. Entre as funções exercidas, elaborava planos, programas e projetos de defesa civil de caráter preventivo. Também colaborou na organização da Conferência Municipal de Proteção e Defesa Civil, na qual participam vários segmentos da sociedade para a elaboração de políticas públicas relacionadas à proteção e defesa civil. Algum tempo depois, o antigo setor de Estudos e Projetos foi transformado no Setor de Análise e Planejamento ligado à Subcoordenadoria de Gestão da Informação e Preparação aos Desastres.

“Quando cheguei na Codesal, pouco conhecia sobre as atividades da Defesa Civil. Passei a vivenciar o dia-a-dia do órgão e o importante trabalho desenvolvido por seus técnicos junto à população carente e que vive em áreas de risco. Fico comovida vendo o sofrimento dessas pessoas que nos procuram e tentamos fazer o que está a nosso alcance”, revela.

A partir de 2016, com a reestruturação da Defesa Civil de Salvador, ela passou a chefiar o Setor de Acompanhamento das Ações de Redução de Risco, núcleo ligado à Coordenadoria de Ações de Prevenção e Redução de Riscos. O objetivo, explica, é fazer a interlocução da Codesal como os órgãos do Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil (SMPDC) responsáveis pela realização das ações de redução de risco, além de acompanhar e registrar essas intervenções de caráter preventivo.

Envolvida nas rotinas de seu trabalho na Defesa Civil, Kitty conta que não mais teve tempo para se dedicar ao que mais gosta na Arquitetura, a decoração de ambientes, falta que compensa nos períodos de férias quando costuma viajar para, entre outras coisas, conhecer importantes sítios arquitetônicos.

Ao falar sobre suas expectativas profissionais, ela diz que “espera que os projetos da atual gestão municipal destinados a implementar a qualidade de vida em Salvador sejam coroados de êxito e, em particular, os desenvolvidos pela Defesa Civil”.

Somos a Codesal: Bernadete Amorim Ferreira

No dia 06 de maio, Berna, como é conhecida Bernadete Amorim Ferreira, completará 11 anos na Codesal onde entrou já como Bibliotecária – documentarista aprovada em concurso. A profissão, que cursou na Universidade Federal da Bahia, ela escolheu por ter sempre “gostado de trabalhar com conhecimento, informação e cultura”.

Antes de entrar na Defesa Civil, ela já havia prestado serviços de consultoria em empresas como o consórcio Petrobras, a Odebretch e a Fundação Onda Azul, sempre na área de biblioteconomia. “Quando ingressei na Defesa Civil, não havia um local específico para guardar um grande acervo. Fiz o projeto, apresentei à direção, defendendo a necessidade do espaço, demanda que veio a se concretizar em 2016 quando foi criado o Centro de Documentação, embora ainda necessite de adequações”, conta.

O acervo documental da Codesal guarda parte da história do órgão, principalmente após a mudança para a atual sede. Berna destaca que o “Plano Diretor de Encostas”, de 2004, é o documento mais consultado. O centro guarda acervo de livros sobre a Defesa Civil, se configurando em uma biblioteca especializada, com livros, fotos, diários, decretos, documentos relativos à Operação Chuva e Operação Carnaval e outras informações relativas à Codesal. “Antes esses documentos eram todos no formato papel, o que se modificou parcialmente com a chegada da informatização”, conta.

Entre a clientela do Centro de Documentação estão universitários da Católica, UFBA, Jorge Amado, estudantes de áreas como Edificação, Engenharia Civil, Geografia e Geologia, além dos funcionários da Codesal, que realizam pesquisas em relatórios referentes às operações chuva e carnaval de modo a embasar projetos da instituição. “Já tivemos pesquisador de fora do país realizando estudo do impacto que a construção da ponte Salvador – Itaparica poderá trazer”, lembra.

“Essa experiência vou levar para o resto de minha vida”

Mas não apenas os livros marcaram a atuação de Berna na Defesa Civil. Ela também colaborou no setor de Ação Social, durante as chuvas de 2015, fazendo o quadro-síntese das pessoas atingidas. Além disso, acompanhou moradores da Ladeira do Pepino nos preparativos para a implosão da Fonte Nova, em 2010. “Explicávamos como deviam proceder no dia da implosão, o que incluía deixar as casas em direção ao Colégio Central, que funcionou como abrigo”. No dia da implosão, Berna revela que ficou receosa, mas que felizmente tudo transcorreu tranquilamente.

“Essa experiência vou levar para o resto de minha vida”, revela Berna que também costuma participar das atividades de prevenção desenvolvidas pela Defesa Civil, como colaborar na realizações dos simulados. “Gosto de trabalhar com o público, nas comunidades”. Sobre sua trajetória, ela conta que a vivência cotidiana na Codesal se revelou surpreendente. “Tinha outras vivências profissionais, mas aqui a realidade era outra. Trabalhar com a população carente de Salvador me impactou, a ponto de no início ter sido necessário algum tempo para me recompor diante do sofrimento de tantas pessoas”.

Quando não está trabalhando, ela conta que adora ouvir música, principalmente MPB, e ir ao teatro. “De tanto estar lá, brinco que sou dona do TCA”.

Somos a Codesal: Pablo de Almeida dos Santos

Graduando em Engenharia de Agrimensura e Cartografia, Pablo passou a integrar o quadro da Defesa Civil de Salvador em dezembro de 2015 com Analista de Geoprocessamento. No órgão tem contribuído para a construção de um banco de dados geográfico inteligente que usa programas como o QGIS- para processar coordenadas de imóveis, áreas de risco e todas as demais informações geográficas geradas pelos técnicos da Codesal.

Para quem não sabe, o QGIS (anteriormente conhecido como “Quantum GIS”) é um software livre/open source multiplataforma de sistema de georreferenciamento (GIS) que provê visualização, edição e análise de dados georreferenciados.

“Tem sido fantástico conhecer o trabalho da Codesal”

Toda essa parafernália tecnológica serve para a formatação do SIGR, o Sistema de Informação e Gestão de Risco, um dos pilares de atuação da Defesa Civil de Salvador após a reestruturação inciada em 2016, e que conta com assessoria do professor Mario Alexandrino da Escola Politécnica da UFBA, explica.

O sistema, segundo Pablo, permite o acopanhamento detalhado com a produção de mapas, que permitem determinar a posição espacial de dados como áreas de risco, pluviômetros, bairros,para a utilização do Centro de Monitoramento da Defesa Civil (Cemadec).

Ele destaca ainda que a utilização de tablets pelos técnicos da Codesal tem permitido em tempo real a produção de informações geolocalizadas que alimentam o banco de dados e permitem fortalecer as ações preventivas desenvolvidas pelo órgão.

Antes da engenharia, Pablo enveredou durante dois anos pelo curso de Física até descobrir a partir da influência de um colega a Engenharia de Agrimensura e Cartografia, curso noturno da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
“Comecei a gostar e entender sobre a área razão pela qual decidi pedi a transferência do curso”, diz.

A paixão pela profissão levou Pablo a se envolve em uma empresa júnior ligada oa curso – a Datum Engenharia Júnior- da qual foi seu diretor administrativo, atuando na área de topografia. Foi quando conheceu a professora Fabíola Andrade, da Politécnica e também coordenadora do Inema que o convidou para um estágio no órgão. “No laboratório do Inema , vola do para a agrimensura, descobri a cartografia e o Q GIS”, recorda.

Defesa Civil

A nova etapa da carreira de Pablo é a Defesa Civil. “Não conhecia a Codesal e estando aqui tive a oportunidade de acompanhar a atividades do órgão, conhecer a realidade das encostas, a questão das chuvas e todo o trabalho preventivo da Defesa Civil que não aparece na mídia a não ser nas horas de chuva. Tem sido fantástico conhecer o trabalho da Codesal, aqui me fez abrir a mente para muita coisa”, conta. Ele acrescenta que participou do último simulado realizado no final do ano passado na comunidade do Calabetão que ressaltou mais uma vez a importância do trabalho que realizamos”.

Graças a um artigo que escreveu sobre o trabalho que desenvolve na Codesal, ele teve a oportunidade de apresentá-lo em um congresso sobre Defesa Civil, realizado em Curitiba. No tempo que sobra das atividades profissionais e da faculdade, ele curte ficar com a família – “sou muito caseiro” – estudar ou mesmo bater um baba.